quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Amigos que fazem arte!


"E aquele grande guerreiro se orgulhava em enfrentar mil demônios sem ter medo, e se orgulhava mais ainda ao dizer que não possuía medos. 
Um dia uma senhora na rua virou-se para ele e lhe disse as palavras que mudariam sua vida. “Você tem um único medo”, disse.
“Eu? Eu não possuo medo algum!”, afirmou ele, rindo da cara da senhora. 
Ela o olhou, curiosa. “Por quê? Por acaso não podes sentir medo?”
“Um guerreiro como eu nada seria se tivesse medo. Para ser tão forte assim é preciso ter muita coragem. Assim os deuses dos guerreiros me tornam invencível.”, afirmou bravamente.
“O medo seria sua ruína?” ela perguntou com um sorriso sutil no canto de seu lábio murcho. 
“Creio que sim...”, disse ele, não muito confiante.
“Perderia sua invencibilidade?”
“Serei invencível enquanto não tiver medos, assim desejaram os deuses!”, afirmou orgulhoso, mas algo apertava seu coração agora.
A senhora deu de ombros e com um olhar misterioso lançou sua afirmação, “Você deveria ter medo de ter medo então.”, e saiu capengando. 
O bravo guerreiro foi perdendo o sorriso aos poucos. 
Medo de ter medo... Ele pensou por dias e se pegou com medo de ter medo. “Oras, enquanto for apenas medo do medo não será medo. Continuarei invencível.”, e riu, não muito confiante.
Dias depois foi enfrentar o seu pior inimigo. Seu reflexo mau. E diante de sua própria bravura em total crueldade, o guerreiro lembrou-se do medo do medo, e então temeu ter medo, perdendo, assim, para seu medo, temendo aquele que era sua bravura em maestria. 

“Ele sou eu sem medo. Ele é invencível!”, pensou. E com a invencibilidade de seu eu oposto, e seu medo do medo convertido em medo de si, ele morreu."
Jhony de Oliveira



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

23:59




Bem, estou tentando encontrar algo que se encaixe na minha maneira de ver a vida. Quero escrever algo original e que diz bastante o que estou sentindo no momento.
Já estou cansando de muitas coisas. Estou cansando de dizer "EU TE AMO" e receber um "VÁ COM CALMA", de abraçar meus pais e eles perguntarem de quanto preciso... Ou de oferecer ajuda ao meu irmão e ouvir algo do tipo "OBRIGADO, MAS RESOLVO SOZINHO"...
Sou Idealista, vivo tentando encontrar uma maneira de mudar o mundo de maneira significante. Acho que ser adolescente é isso, você ansiar para mudar, não que minha visão do mundo seja correta.
Queria apenas que as pessoas parassem de achar que não penso quando vou tomar decisão!
Ou estou velho demais, e maduro o bastante a ter OBRIGAÇÃO de criar responsabilidades. Ou então, sou novo, infantil  a ponto de NÃO poder correr atras delas!
O fato é: CRIANÇA = nadar no raso e ADULTO = fundo demais a ponto de qualquer entendimento...
Por favor parem de querer acelerar ou retardar qualquer coisa que venha acontecer comigo!
Se eu "cair de cara", me "estrepar", o que seja. Ainda vou carregar comigo as minhas EXPERIENCIAS!!!

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre"
Clarice Lispector



Sei que sou infantil, seu que há muito a aprender, responsabilidade a criar. Só deixem que eu mesmo escolha a maneira de aprender tudo isso...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Trecho de "o pequeno príncipe"


Uma das histórias que mais me emocionam, e cujo personagem eu mais me inspiro.
gosto da simplicidade, da ingenuidade, da delicadeza do pequeno príncipe...




"Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. Uma rosa e três vulcões que não passam do meu joelho, estando um, talvez, extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso... - Pesou o príncipe.
E, deitado na relva, ele chorou.
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, olhando a sua volta, nada viu.
- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - Perguntou o principezinho. - Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...
-Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho.
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?
- Procuro os homens - disse o pequeno príncipe. - Que quer dizer "cativar"?
- Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não - disse o príncipe. - Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."



Na realidade acho que o uma das maiores maravilhas do ser humano é ser cativado!!!
BOA NOITE!!!



domingo, 14 de agosto de 2011

Diversidade


Apenda a amar a diferença do outro!
E haverá quem ame suas diferenças!
SER DIFERENTE É LEGAL!!!



"Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as
imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. Louco... é quem não procura ser feliz com o que possui. Cego... é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. Surdo... é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho . Mudo... é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. Paralítico... é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. Diabético... é quem não consegue ser doce, sem sofrer por isso...
Anão... é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser "miserável", pois " Miseráveis" são todos que não conseguem
falar com Deus."

Mário Quintana



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Loucos e Santos


"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."

Oscar Wilde






Essa foto, é a vista da janela da turma de arte. Recebi ela algum tempo depois de ter trancado o curso...
Meus amigos, vocês são muito importante na minha vida, Amo muito vocês!

domingo, 7 de agosto de 2011

De nariz vermelho

Bem, acho que já deu para perceber que umas das coisas que mais gosto no mundo é o palhaço!
Acho simbólico a imagem de alegria que ele nos trás, ao mesmo tempo enigmático o seu verdadeiro sentimento. Aprendi com uma amiga que toda vez que estamos tristes, ou de mal humor deveríamos colocar o vestir o nariz de palhaço e enfrentar a condição de alegrar quem está próximo. Talvez não conseguimos realizar tal feito, mas ao menos o fato de tentar já é a recompensa que precisávamos.

Mas o que me faz sentir mais completo é quando posso me vestir de palhaço e trabalhar no movimento do FREE HUGS, ou "abraço grátis", quando encontramos uma pessoa que entende a mensagem, a moral do movimento... Isso é a maior recompensa. Claro nada paga podermos oferecer um abraço ao próximo!
E como sou do tipo de pessoa que não consegue viver sem se jogar de cabeça, me visto de corpo e alma nesse movimento, e tudo o que aprendo é lucro!




Algumas das pessoas que fazem toda a diferença na minha vida!
MEUS AMIGOS, AMO VOCÊS!!!
SEMPRE!!!

Talvez um conto de fadas...

“– Por que a lua? – pergunta o jovem com roupas de gênero antigo, cheia de remendos e carcomida pela ação da natureza – por que tens tanta ligação com aquele astro, que resplandece tão distante que quase não se pode ver o brilho que reflete do grande astro, o Sol?! – reforça o espantalho fitando o pequeno urso todo sujo e rasgado, mostrando sua condição de abandono.
– A Lua aparece somente quando perdemos o Sol. Quando perdemos seu calor... – diz confiante o ursinho arrancando um pedaço de algodão do buraco que se encontra onde deveria haver um olho de vidro brilhante – E se tu sentes a perda de algo, se assemelha com a lua, que nunca poderá ser vista senão como a fria ausência alegre do astro que antecede sua chegada... – continuou o pequeno levando sua mão aos olhos dos espantalho, e com o pedaço de algodão limpando a gota que teimava a descer sob seu rosto de abóbora...”



Gosto de contos de fadas! Tenho vontade de escrever um, no qual criticaria a felicidade abortada com que a sociedade procura.
Um conto que não que voe além de pequenos detalhes, nada que ultrapasse a simplicidade de uma extraordinária busca incessante por algo... Uma busca incessante pelo horizonte. Um horizonte que vai além de grandes barreiras. grandes montanhas!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sexta-feira à noite

Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.


Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.


Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.


Marina Colasanti



Pra esta sexta-feira!!!
Que tal algo novo?!


MENOS SEXO...
MAIS AMOR!!!
<PENSE> discuta </FAÇA>
tudo vale a pena quando é verdadeiro!!!
BOA NOITE DE SEXTA-FEIRA PARA TODOS!!!


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amor Próprio

Hoje vai um post  sobre amor próprio. Acho que o pessoal está muito envolvido de traumas sentimentais, ainda mais nesta noite fria de inverno!

E uma citação de um dos meus maiores ídolos:


Vida
É o amor existencial.
Razão
É o amor que pondera.
Estudo
É o amor que analisa.
Ciência
É o amor que investiga.
Filosofia
É o amor que pensa.
Religião
É o amor que busca a Deus.
Verdade
É o amor que eterniza.
Ideal
É o amor que se eleva.
É o amor que transcende.
Esperança
É o amor que sonha.
Caridade
É o amor que auxilia.
Fraternidade
É o amor que se expande.
Sacrifício
É o amor que se esforça.
Renúncia
É o amor que depura.
Simpatia
É o amor que sorri.
Trabalho
É o amor que constrói.
Indiferença
É o amor que se esconde.
Desespero
É o amor que se desgoverna.
Paixão
É o amor que se desequilibra.
Ciúme
É o amor que se desvaira.
Orgulho
É o amor que enlouquece.
Sensualismo
É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.


Francisco Cândido Xavier



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Homem ao mar

“Homem ao mar, gritavam os navegantes enquanto o pequeno marujo era engolido pela imensidão aquática. Homem ao mar, grito hoje, a imensidão de homens que se deixam engolir pela pequenitude dos sentimentos.”



Gostaria de estar errado e encontrar mais pessoas com menos medo de viver...
Talvez esse medo da vida seja o trauma que ganhamos quando nascemos.

O EXILADO

“O ser humano se priva da vida por medo de viver.
Posso ouvir a solidão gritar amordaçada
Vejo marcas e toques de suas experiências passadas
O cheiro do seu corpo mostra tua alma dilacerada
O gosto de medo está em sua boca ensangüentada
Seu toque de tristeza em minha pele arrepiada
Sem o véu, teus olhos mostram a realidade estampada
Que teus sonhos, teus sonhos foram na sombra guardada
E tua vida, já é morte e está enterrada...”


sábado, 30 de julho de 2011

Homens que voam


Um passo dado, uma história para trás. É hora de se decidir, tudo aquilo que não sou, tudo aquilo que me cansei.
Deixar de ser pequeno, ou grande demais, para viver eu mesmo.
Homens que voam... Nada mais que simples homens...
Homens que voam não são anjos...
Homens que voam são apenas homens...
Homens que brincam na lama...

sushi

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa


HÁ MOMENTOS

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
Clarice Lispector


Anúncio

‎"Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."

Clarice Lispector


Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." 

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. 

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. 

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. 

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" 

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! 

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. 

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. 

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! 

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector




quinta-feira, 14 de julho de 2011

Amigos que fazem arte!


Colosso de Rodes, por Carol Melo, amiga da faculdade. Uma dos meus talentosos amigos.
esse desenho feito na madrugada e roubado pelo professor, feito em duas folhas de canson, tem 50 cm. Lindo!!! Parabéns Carol!

O que seriam os sentimentos?

Não sou mais tão adolescente a ponto achar que todo sentimento se resume a AMOR.
Nem sou adulto o bastante a ponto de não acreditar que ele não exista.
E nem é ele quem me move a criar. Tenho em vista sempre buscar a felicidade como prometi a uma pessoa há algum tempo. E a cada dia que passa,  aprendo mais sobre a simplicidade dela. No laboratório de um novo trabalho como ator, estamos aprendendo a prestar mais atenção em coisas menos extraordinárias, coisas que não que são tão fantásticas a ponto de não chamar a atenção.
Muitas vezes esperamos algo que nos tire da realidade para algo melhor e esquecemos que a realidade em si já é algo maravilhoso.
Gosto de uma pequena citação de Mário Quintana:

“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.”
Mário Quintana


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Amigos que fazem arte!

“A vida é coisa maluca...
Maravilhosa...
De força tamanha e surpreendente, tudo supera...
Não, nem tudo supera, ou sequer esquece...
Em meio as tuas grandes surpresas, grandes sustos...
Por fim acabamos por descobrir que tudo volta...
Sempre volta...
Seja de saudade, pensamento, vontade...
O pra sempre é sempre...
O nunca apenas um talvez...
E a vida... Ah bela vida...
Sempre a mesma...
Os sentimentos também..."



By: Juliana Romão

Amigos que fazem arte!

NOITE FRIA


Sabe aquele momento em que você daria tudo para livrar sua cabeça de um pensamento?
Aquele pensamento que ronda sua mente, te incomoda? Só o que você deseja fazer é um típico bloqueio mental para não mais lembrar daquilo. Você procura coisas para distrair-se e sem ao menos notar, lá está ele de novo, trazendo à tona tudo o que você mais quer esquecer.
Como se não bastasse, seu corpo responde de acordo com o seu intrigante pensamento. Você sente fome; mas não consegue comer. Sente sono; mas não consegue dormir. Tudo o leva à mesma estaca zero: reviver aquele momento tão amargo, tão difícil, dentro da sua cabeça, várias e várias vezes parecendo não ter um fim.
Se ao menos fosse uma lembrança doce do seu rosto radiante brilhando de alegria com o seu lindíssimo sorriso estampado de orelha a orelha. Mas quando o jogo inverte, ou seja, que essa lembrança permanecerá fruto da minha grande imaginação, e não da minha realidade, se torna a pior das frustrações.
O forte desejo de tê-lo ao meu lado, e quem sabe ser o motivo desse sorriso antes descrito, gera a minha determinação por lutar. E como toda grande luta, às vezes perdemos; às vezes vencemos. Mas para o meu tormento, já cansei de perder.
Por você amor, eu me reinventei. Amadureci de uma forma sem explicação; cresci, aprendi, vivi, revivi e agi... Só não venci. Amadureci nos pensamentos, nas atitudes, mudei meu jeito de ser para te provar que poderia fazê-lo então muito feliz; cresci dentro do coração; aprendi a dar valor ao sentimento de todas as pessoas e dar valor mais ainda ao meu sentimento; vivi experiências que mudaram muito o rumo das coisas, mudaram o meu jeito, e reviveria tudo de novo; agi da forma que achei prudente, mas não foi o bastante e/ou suficiente; e a vitória, cadê?
Abandonei antigos princípios e lógicas, passando por cima da minha razão com o pensamento de que tudo valeria muito à pena se fosse por você. Será que me enganei a esse ponto?
Então, nessa noite fria, me vejo sem chão e sem esperanças pro futuro, apenas com aquele mesmo pensamento e um coração partido. E como dói um coração partido.
Então, pensamento que tanto me aflige e incomoda, agora que o reproduzi para o papel, peço com uma grande vontade de que pare de me incomodar. Que fique no papel e de lá nunca mais saia. Que um dia eu possa lê-lo e sorrir radiantemente por ter vencido, não só esse problema, como também a minha luta. E finalmente, com o meu grande amado ao meu lado, meu coração possa parar de chorar a noite para dar lugar à maior das alegrias... A alegria de tê-lo só para mim.


By: Thainá de Souza
www.oppositesandrelated.tumblr.com

domingo, 26 de junho de 2011

Novo Ciclo



Auto-epitáfio


Como uma flor de lótus que se abre a cada mil anos. Somente uma vez...
Sua angústia havia cessado,
Espelhando sua dor à volta. Algo, algo que corrói...
De seus lábios retirei o veneno, que lhe cedeu seu próprio o descanso,
Em seu corpo pode-se sentir que tudo mudou, as flores, agora murchas, deixaram o perfume, o aroma da despedida.
Gostaria de passar o que colhi, mas sinto vê-lo colher. Mãos leves agora repousam esculpidas.
Os olhos, sentimentais, se fecharam para o mundo, esperando que nasçam olhos vívidos talvez de esperança.
Enquanto o corpo repousa, a mente caminha sem direção em busca de um novo, um  recomeço, talvez.
Um recomeço mais belo, mais puro, mais claro...
Sinto não poder ver mais o que pude ver ontem, pois ontem morreu para hoje, como hoje não nascerá amanha.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Belle Époque







   
   A Belle Époque é normalmente compreendida como um momento na trajetória histórica francesa que teve seu início no final do século XIX, mais ou menos por volta de 1880, e se estendeu até a eclosão da Primeira guerra Mundial, em 1914. Mas, na verdade, não é possível demarcar tão rigorosamente seus limites, uma vez que ela é mais um estado espiritual do que algo mais preciso e concreto.
      







      No Brasil, por exemplo, este período tem início em 1889, com a Proclamação da República, e vai até 1922, quando explode o Movimento Modernista, com a realização da Semana da Arte Moderna na cidade de São Paulo. A Belle Époque brasileira  é, no entanto, instaurada lentamente no país, por meio de uma breve introdução que começa em meados de 1880, e depois ainda sobrevive até 1925, sendo aos poucos minada por novos movimentos culturais.








      Esta era é até hoje relembrada como uma época de florescimento total do belo, de transformações, avanços e paz entre o território francês, onde este movimento se centralizou, e os países europeus mais próximos. Surgem novas descobertas e tecnologias, e o cenário cultural fervilha com o aparecimento dos cabarés, do cancan, do cinema. A face artística é subvertida com o nascimento do Impressionismo  e da Art Nouveau. Em outras terras a arte e a arquitetura nascentes neste momento são conhecidas como obras de estilo ‘Belle Époque’.








      No Brasil a ligação com a França é profunda nesta fase da História. Entre os membros da elite brasileira, era inconcebível não ir a Paris ao menos uma vez por ano, para estar sempre a par das mais recentes inovações. Em meados do século XIX, cinco importantes mostras internacionais organizadas na cidade-luz indicaram as novas inclinações estéticas aos artistas de todo o mundo.






      Uma delas, a de 1855, revelou uma oposição entre os seguidores do neoclassicismo de Dominique Ingres e os do romantismo de Eugéne Delacroix. Este saiu vitorioso do embate, estendendo seu triunfo ao movimento cultural por ele representado. Nesta mesma exposição o artista Gustave Courbet, ao ver seus trabalhos rejeitados, montou próximo ao salão das obras expostas seu Pavilhão do Realismo. Em 1867 seus esforços são recompensados, pois neste ano ele e sua obra tornam-se o centro das atenções, com o êxito da escola realista.





      Ao mesmo tempo, este período testemunhou a escalada do socialismo organizado e dos militantes operários. Os confrontos criados por este novo cenário, somados às controvérsias políticas então vigentes, geraram um posicionamento dos franceses entre a esquerda e a direita. Mesmo com esta tensão no ar, o contexto desta época é lembrado como a era dourada, subitamente abalada pelo início da Primeira Guerra Mundial.




      Mudanças profundas marcam o cotidiano da Belle Époque, provocadas pelo aparecimento de novas tecnologias como o telefone, o telégrafo sem fio, o cinema, a bicicleta, o automóvel, o avião, entre outras invenções. Paris se torna o centro cultural mundial, com seus cafés-concertos, balés, operetas, livrarias, teatros, boulevards e a alta costura inspirando e influenciando várias regiões do Planeta.